• GM Rhaekyrion

Uma Escritora Perdida na Ideia de Ser Influencer

Querido Jarbas, estou um pouco distante, não é mesmo? Mas é por uma boa causa!


Para quem me acompanha, deve ter percebido a repentina redução de conteúdo diário no blog. Isso aconteceu depois de uma crise complexa e difícil, a qual, felizmente, consegui superar.


Nessa vida de escritora empresária é comum abrimos as redes sociais para divulgarmos nossos serviços e obras. Obviamente que o marketing é o maior aliado do escritor moderno, mas existe um limite para o quanto se dedica a ele.


A cobrança por dinheiro, a quantidade de projetos assumidos ao mesmo tempo e as pressões internas por produção de escrita literária me transformaram em um poço de estresse. Estou sendo totalmente sincera.


Fazia semanas que não conseguia escrever uma linha de qualquer obra minha. Simplesmente não vinham os pensamentos, estava exausta até para redigir os textos para as minhas redes sociais.


E por que isso aconteceu?


Uma Escritora Perdida na Ideia de Ser Influencer
Uma Escritora Perdida na Ideia de Ser Influencer (Foto do Pexels)

Perdendo-me na Ideia Global de Ser Digital Influencer


Buscando viver da escrita, despertei para o mundo das redes sociais após uma chuva de informação dos cursos que fiz ao longo de 2020.


Concordamos que a pandemia transformou a economia como um todo, adiantando a realidade da tecnologia controlando os serviços, devido a necessidade de nos mantermos em casa.


A história do home office me encantou, sempre quis trabalhar em casa e, claro, fiz de tudo para abraçar as oportunidades disponíveis.


Porém, também acabei sem emprego, desesperada e completamente entregue as baratas, sem saber o que fazer. Trabalhava como redatora pra um site grande e amava o que fazia.


Então, apostei nos blogs e cai de cabeça no mundo de produção online, almejando monetizar meu blog o quanto antes. Assim, tiraria uma renda maravilhosa para apostar nos meus livros e, inclusive, ser autora totalmente independente.


Já viram que nada disso aconteceu ainda, não é? Pois bem, nesse tempo abri minhas redes sociais para falar sobre minha vida de escritora, compartilhar contos, experiências, rotina. Abracei o marketing digital e mergulhei nessa teia chamada Instagram.


Juro, nunca imaginei que chegaria a ficar no estado de dependência e paranoia que me encontrei nos últimos três meses.


Uma Escritora de um Livro Só?


Mar dos Lamentos foi o meu começo, a porta de entrada para o mercado editorial. O escolhi como um teste e não consegui conter a alegria ao ver o resultado que ele me proporcionou.


Depois do pico emocional do lançamento, me vi desesperada por seguidores, para que pudessem converter em compradores dos meus livros.


Nessa história topei diversas participações em sorteios, vivia planejando feed e conteúdo para o Instagram, exaurindo a criatividade em template. O restante da energia depositava nesse blog, totalmente compulsiva por aumentar o acesso e a chegada de leitores.


O que aconteceu? Não tinha força e nem tempo para escrever minhas histórias, me sentia eternamente cansada e altamente estressada, depositando no final de semana todas as expectativas de compensar as faltas.


Obviamente, não conseguia mover um dedo para digitar qualquer coisa na frente da tela. Só queria ficar longe do PC, preferindo me entregar a outras atividades.


Ou seja, estava mentalmente exausta, totalmente sem espaço para as minhas criações e entrando em um estado emocional depressivo, sustentando uma angústia terrível e insanável.


Havia me resumido a uma escritora de um livro só.


Perdida em Promessas de Infoprodutos


“Vou te ensinar a conquistas seu sucesso financeiro em um mês, venha para o curso”, “quer ter seguidores e interações e não sabe como? Participe da semana do influencer e bombe seu IG”, “aprenda a faze seu infoproduto em 5 passos milagrosos e fiquei milionário da noite para o dia”.


Já ouviram qualquer um desses jargões da internet? Aposto que sim e muito! A quantidade de pessoas vendendo cursos e e-books de como fazer cursos, buscando ensinar pessoas a serem ricas e bem sucedidas é um absurdo.


Claro, cai nessa armação, entrando em uma corrida contra o tempo para criar os meus infropodutos e cursos e assim atingir a independência financeira que tanto procuro.


Estava tão envolvida com essa ideia que se quer percebi o quão perdida me encontrava. Afastada do que realmente larguei tudo para ser e fazer: escrever.


Concursos literários? Antalogias? Contos? Livros? Tudo isso ficou de lado e sem nem perceber me afundava em um eterno limbo de aparências e objetivos longe dos meus.

Quem me salvou? Minha querida esposa, claro, e a maravilhosa da Larissa Molina, que eu tenho orgulho de chamar de amiga e parceira.


A pergunta é: Você quer ser influencer ou escritora? Porque se for a segunda opção não está trabalhando para tal.


Tomei um choque de realidade, uma sacolejada, que me fez ver o quanto me perdi nesse bombardeio de promessas online.


Posso dizer que foi aliviador me perceber, notar o quanto me deixei levar por puro desespero em conseguir um montante financeiro, que leva tempo e dedicação para alcançar.


O resultado? Reduzi meu trabalho aqui no blog e nas demais redes sociais, o tempo que dedicava a esses dois elementos foi convertido aos meus livros e agora tenho a possibilidade de publicar dois esse ano.


Venho dizer que a frequência aqui vai diminuir, vamos passar por umas mudanças, mas será para melhor.


Nessa vida, é importante conhecer pessoas capazes de nos salvar de nós mesmos.


Beijos de Fogo.

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