• GM Rhaekyrion

Sou Escritora, NÃO uma Escrava

Há alguns dias eu venho com o humor nada legal. Tristeza, desmotivação, cansaço. Eu me via trabalhando no que sempre sonhei e, ainda assim, estava insatisfeita.


A coisa culminou quando, simplesmente, em uma tarde de quinta-feira, estou eu diante da tela, editando uma matéria para esse blog e chorando.


As lágrimas desciam sem esforço, o queixo se quer enrugava. Era um choro cansado, escondido e silencioso. Daqueles que só vem e não pedem permissão para chegar.

Tudo isso? Exaustão mental.


“Eu Quero Desistir, Não Tenho Prazer em Escrever”


Sou Escritora NÃO um Escrava
Sou Escritora, NÃO uma Escrava (Foto de Anna Tarazevich no Pexels)

Essa foi uma frase que repeti constantemente nas últimas duas semanas, todos os dias eu me levantava pela manhã com vontade de chorar. Olhava para os livros na minha estante e lembrava o quanto estou envelhecendo sem chegar lá.


Publicar os contos, finalizar o romance novo, nada disso me fazia vibrar como antes. Até que chegou ao ponto de encarar as redes sociais e perceber quanta energia tóxica acumulei por causa de um aplicativo.


É loucura pensar que depositei tanta força em algo que não é a maior parte de mim, mas essa foi a verdade.


Só vim sentir o quanto estava triste quando entrei na livraria e não tive vontade de adquirir nenhum livro, nem os títulos que mais gostava.


Porque aqueles exemplares só despertavam um pensamento: “eu sou um fracasso, nunca estarei em uma dessas estantes”.


Multitarefas e a Romantização do Esforço


Podem estar se perguntando por onde que começou tamanha dor, o início de fato é impossível de ser mencionado, mas sei ponderar, mais ou menos, o instante em que a coisa mudou.


Dinheiro sempre foi um problema sério para mim, poucos momentos da minha vida eu ganhei o suficiente para me manter e em todos eles eu sempre buscava por uma renda maior.


A relação arte x financeiro é destruidora. Isso por vivermos em um país que considera a arte como hobby e não como trabalho – mesmo em meio a uma pandemia na qual o maior escape é a arte.


Então, quando se é pobre para investir na carreira que se deseja ter, você topa ser um pouco de tudo: escritora, marketeira, designer, editora, revisora ortográfica, vendedora, gerente, empresária e influencer. Ainda nem citei os deveres do lar, para não assustar ninguém.


Sendo assim, cheguei à um ponto em que não aguento mais! Eu tenho ajuda da minha esposa e da minha cunhada, mas elas não podem parar a vida delas para investir o tempo do mundo na minha carreira.


É exaustivo ter de pensar em tudo, o tempo inteiro. O resultado dessa lambança de falta de pausas e autocuidado foi associar o momento de escrita com desprazer.


Escrever de fato era a menor parte do meu dia, os últimos suspiros de quem passou 14 horas na frente da tela de um PC e só quer se deitar e esquecer. Mas meu cérebro saía do modo trabalhadora assalariada para modo chefe, sendo que sou uma só.


Estou ganhando mais porque trabalho mais? Não. E ainda escuto de muitos que o que faço não é trabalho, como se não fosse digno.


Saúde Mental Destruída e Redes Sociais Intactas


Já pararam para pensar quem é a pessoa por trás daquele post que você curtiu? Já se perguntou quem, de verdade, é o indivíduo por trás de telas?


Eu cai na cilada de achar que a vida de todo mundo está perfeita, quando a minha desmoronava. Mas acontece que ninguém posta o seu lado ruim, o lado triste, a dor, as crises, os momentos de desespero.


Só é relevante os momentos de glória – mesmo que seja uma mentira ou uma omissão. A razão? Jamais eu vou saber explicar. É um misto de vazio e carência os quais nos levam a depender de uma curtida, um seguidor a mais, um comentário fofinho.


Quando todo esse esforço é uma obrigação? Quando esse é o caminho que se diz ser o melhor para um escritor conquistar os olhares de uma editora – porque a maioria virou cadelas do engajamento?


Simplesmente pirei. Porque eu não sou linear, eu sou curvas e voltas, sou ciclos, elipses, até quadrados, mas nunca uma linha reta. Eu NÃO SEI seguir tendência de cores, me cobrar posicionamento para tudo, alimentar diariamente o mesmo assunto em um mesmo lugar.


Eu sou uma maré oceânica, que se renova a cada fase da lua. O que aconteceu? Eu me cobrei por não conseguir alcance, por não obter download e feedback das minhas histórias, pela bosta do engajamento, por ainda não ser um impacto midiático fervoroso.


Enquanto caía em crises depressivas, os aplicativos continuavam ganhando horrores em dinheiro. E eu me mantinha tão pobre quanto antes de iniciar meus perfis.


Saber o Limite e Como Encarar a Situação


O que aprendi de lição? Que eu preciso me conhecer. Preciso de mais autoconhecimento do que imaginei.


Preciso aprender a dizer não, a saber o que eu quero e como, e esquecer completamente o resto. Não posso abraçar o mundo e não consigo, tenho de aceitar meus limites atuais.


E ter PACIÊNCIA. A literatura é como uma mensagem espacial, ela é mandada a anos-luz pelo universo e pode demorar outros tantos anos-luz para se ter uma resposta.


Enquanto isso, como pago minhas contas? Usando o que tenho no momento e, logicamente, me reinventando.


Investir em estudo, profissionalização, mais estudo e mais especializações vão precificar melhor meu serviço. Porém, preciso de pessoas que desejem pagar por eles. O mesmo acontece com os livros.


Ninguém pergunta ou torce o nariz para uma consulta de um médico bom. “Ah! Mas ele é um bom médico, vale o preço”. Porque você, que vive criticando diversos títulos, torce o nariz para pagar por um livro de 35 reais?


Existe muito tempo, esforço e investimento financeiro por trás das mesmas 3 dezenas e meia, as quais se recusa a pagar.


O mesmo vale para os serviços. Quer algo de qualidade? Então pague por isso. Não tem o valor? Tente fazer da melhor forma possível e paciência para as críticas.


Como estou hoje?


Melhor, mais esperançosa. Com algumas possíveis certezas e outras milhares de perguntas.


Beijos de Fogo.

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