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Ressignificando o Clichê com Army of The Dead Invasão em Las Vegas

O clichê, a mesmice, a repetição. Fugir desse bendito é uma máxima dos orientadores de Escrita Criativa da modernidade. Criar algo ainda não pensado se tornou a principal corrida entre os livros e filmes.


Mas, existe uma questão bem interessante sobre ressignificação. Quem disse que não podemos reinterpretar o que já existe?


Trazendo uma verdadeira aula sobre ressignificar o clichê, Army of The Dead: A Invasão em Las Vegas provou que é possível inovar temas já macerados pelo audiovisual.


A Proposta do Filme e seu Impacto


Ressignificando o Clichê com Army of The Dead Invasão em Las Vegas
Ressignificando o Clichê com Army of The Dead Invasão em Las Vegas (Foto: Observatório do Cinema - Uol)

Dirigido por Zack Snyder, que marcou carreira com os filmes Madrugada dos Mortos, 300 e Watchmen, a nova aposta da Netflix uniu o clima gangster de Las Vegas com o terror de mortos-vivos.


Army of The Dead: Invasão em Las Vegas é protagonizado por Dave Bautista (nosso eterno Drax), Ella Purnell, Guma Qureshi e Tig Notaro. Figuras marcantes nas telinhas de todo o mundo.


Mas, eu não vim fazer jabá para o filme, mas falar sobre como que zumbis podem formar uma civilização pensante, organizada, com hierarquia e exército formado.


Como assim, Gabi? É isso mesmo! Ressignificar o clichê é usar dos elementos primordiais existentes e conferir uma nova interpretação.


Snyder mudou o jeito de pensar a respeito dos clássicos zumbis e nos mostrou uma face da sobrevivência apocalíptica que antes não se tinha pensado.


Quando ganância e mortos-vivos se juntam, qual o resultado que dará?


Basicamente, é essa a pergunta de ouro e que pode servir para você, que anda atrás de virar do avesso o bê-á-bá literário e não sabe como.


Novo Cenário e a Teoria da Evolução


Saindo das típicas cidades, bairros pacatos ou escolas, os zumbis que conhecemos viajam para o centro da cidade dos cassinos e por lá faz sua lambança.


Tudo isso parte de um ancestral comum, um homem geneticamente modificado, uma criação do exército, que experimenta a liberdade em um acidente de carro. Ali ele recruta os primeiros aliados mortos-vivos.


Então, depois do massacre na cidade, que virou um clássico pós-apocalíptico, restou alguns postos de resgate e abrigo para os não contaminados, que lembra muito os hospitais de apoio durante os piores momento da pandemia.


Temos diversos elementos clássicos que fazem o fã de terror zumbi ser inserido facilmente na história, e, junto, a vivência da realidade, somada a apresentação do novo enredo: evolução em mortos-vivos.


Considerando as teorias de seleção natural, há um predador (os zumbis) em um vasto nicho de alimentação e sem predadores naturais que façam pressão ou controle de mortalidade/natalidade. O esperado é que a espécie prospere, gerando descendentes e criando relacionamentos complexos.


Foi assim que esses novos zumbis se apresentaram. Temos um grupo de humanos sobreviventes, que se adaptaram ao caos com a inteligência – esperado – e um grupo de zumbis que fizeram o mesmo – a surpresa.


Tudo isso em um cenário comumente usado para filmes de comédia ou de gangster, conferindo um detalhe a mais no quesito a cidade da fortuna e dos jogos de azar.


Ressignificar é Reinterpretar, Não Plagiar


Como dito, Army of The Dead: Invasão em Las Vegas pegou o clássico zumbi e deu nova interpretação. Nada mais natural do que os seres ali existentes sofrerem com as leis da evolução.


Porém, existe uma linha tênue entre ressignificar e plagiar.


Quando penso em usar um padrão literário/cinematográfico para uma história que estou criando, também estou tentando trazer o meu lado fã, que atingirá outros fãs, à tona. Ou seja, se uso um dragão, não quer dizer que a minha história é uma cópia de Eragon ou de Game Of Thrones – e as duas usam dragões de formas bem distintas.


O mesmo não pode ser dito quanto eu pego uma história de uma modificação genética, um vírus, que vaza e contamina a população mundial, as transformando em monstros zumbis e o nome da organização é Umbrella. Isso é plágio, porque estou usando mais do que os elementos clássicos, estou me apropriando, roubando, a ideia de enredo de outra pessoa.


Portanto, na hora de pensar em ressignificação, é importante tomar muito cuidado para não cair em um plágio.


Um exemplo? Eu adorava usar o mithirl – aço criado por Tolkien – como o mais resistente dos meus mundos. No RPG de Texto, que não tem fins lucrativos, tudo bem. Mas quando fui montar os primeiros livros, precisava substituir por algo original.


Bastava trocar o nome e dizer que é um aço dos anões? Não! Eu tinha que criar algo novo. Foi assim que usei criaturas de carapaça resistente para ter diversas armaduras. No conto A Serpente de Bronze mostro algumas dessas ressignificações.


Construção de Enredo de Army of The Dead: Invasão em Las Vegas


Quanto as questões de evolução de personagens e enredo, o filme deixa um pouco a desejar. Não é o mais incrível que já vi, apesar das personagens despertarem empatia – não todas – e ter bastante alívio cômico.


Porém, o que mais me chamou atenção foi a nova cara para o apocalipse zumbi. Isso é inegável.


Outra dica é essa. Não pense que uma boa ideia de ressignificação vai anular o trabalho necessário de construir personagens marcantes e enredos bem elaborados.


Por hoje é só!


Beijos de Fogo.


Trailer Army of The Dead: Invasão em Las Vegas




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