• GM Rhaekyrion

Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório

A morte tem muitos significados na nossa sociedade, existe quem acredita que é o fim e quem pensa que é apenas o começo de um novo ciclo, e todas essas distinções trazem um verdadeiro embaraço sobre: o que fazer quando eu morrer?


Caitlin Doughty é uma verdadeira apaixonada pela morte, desde pequena sua atração pela macabra ceifadora a levou à adquirir um estilo de vida bem diferente do habitual.


Nesse universo funerário, Caitlin acabou trabalhando em um crematório e foi assim que esse livro nasceu.


Uma publicação da Darkside, que não consegue deixar de nos impressionar com suas capas, e é um livro de não-ficção, mas cheio de significados místicos.


Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)
Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)

O que a Morte Significa?


Comecei essa matéria falando sobre a variedade de crenças quanto a morte, mas vamos lá, o que ela significa de verdade?


Não vou me alongar em artigos e citações sobre milhares de cientistas, origens da palavra e coisas similares. A minha intenção é fazer você refletir.


Estamos vivendo uma pandemia, números absurdos de caixões e valas sendo abertas, milhares de corpos desfalecidos seguindo para o subsolo nacional, encerrando... o que?


Caitlin é bem cirúrgica quanto o assunto é encerrar nossa estadia na Terra, ela conta como sua experiência de morte ao longo da infância – ou a ausência dela – a tornou uma garota totalmente fascinada por funerais, como isso se tornou parte dela e como passou a enxergar a chuva de lamúrias e desapropriação cultural ao longo dos anos.


Morte e Cultura Caminham Juntas


Funerais nada mais são do que rituais religiosos, cada um tem o seu e seguimos o baile. Mas as diversas brigas de poder entre as nações culminaram em uma modernidade genérica, cristã e sem o menor apreço pelos mortos.


Apreço? É para ter sentimento por um defunto? Não é disso que falo – e nem Caitlin –, mas sobre a maquiagem, roupas, cabelo e caixão de carvalho ou salgueiro e uma lápide bem escrita e florida. O que isso significa? Teremos um espaço melhor no céu? Ou qualquer variação dessa crença.


É sobre esse enfeite típico da nossa modernidade, que banaliza a lavagem dos mortos, a vigília, as fogueiras funerárias, ou qualquer outra variação, como se enfiar milhares dos corpos em caixas de madeira fosse a coisa mais “aceitável” e cheia de pudor.


Então, volto a perguntar: o que é a morte?


Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)
Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)

Morrer Não é um Tabu nesse Livro


Quanto mais me enfio em assuntos diferentes mais tabus encontro. É fato que morrer deveria ser bloqueado, não é mesmo? Foda-se qualquer aspecto evolutivo, ciclo da vida e a balela natureba de sempre.


O que mais me chamou atenção nesse livro é que a autora fala da morte com naturalidade, os aspectos que envolvem a preparação do corpo para o funeral, mesmo quando é cremado. A quantidade de substâncias e maquiagem colocada nos corpos para se tornarem mais “naturais”.


Adorei cada linha explicativa sobre as culturas envolvendo os rituais funerários, tirei bastante inspiração para construir meus universos.


Porque é por isso que a não-ficção me apaixona tanto, o seu poder de mostrar aspectos do nosso mundo, que facilmente estalam em ideias para as minhas histórias.


Além disso, me ajudou a refletir sobre significado do fim da vida. Apesar de encarar a morte sem floreios e de acreditar em reencarnação, fiquei mais crítica quando a questão dos funerais.


Na minha opinião, não existe nada mais macabro que um enterro. Mas, o que interessa é: o que você acha sobre a morte?


Beijos de Fogo.


Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)
Resenha: Funerais e Morte com Confissões do Crematório (Foto: GMRhaekyrion)

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