• Rachel Ciríaco

Resenha do Livro: Carol Vai te Conquistar do Começo ao Fim

Meu primeiro contato com Carol foi através do filme de 2015. Com um roteiro incrível, fotografias de tirar o folego e trilha sonora perfeita, a película me cativou do começou ao fim.


Como sempre, quando gosto de uma obra cinematográfica, fui a fundo buscar mais sobre aquele filme tão delicado e envolvente e eis que descubro que ele havia sido inspirado em uma obra de 1952, da escritora Patricia Highsmith, sob o pseudônimo de Claire Morgan, mente por trás de Estranhos no Trem e o Talentoso Ripley.


Carol ou The Price of Salt, no título original, é um romance em terceira pessoa que segue sob a perspectiva de Therese Belivet, uma jovem cenógrafa em início de carreira que trabalha como temporária em uma loja de departamentos, Frankenberg’s, em Nova York, durante o período das festas de Natal.


Quando em um dos expedientes ela atende uma mulher, pela qual fica perdidamente aficionada; Carol, é descrita como uma mulher com “um longo corpo elegante” e olhos cinzentos e dominadores.


Patricia relata que se inspirou em uma compradora que apareceu na loja de departamentos que ela trabalhou durante o período de Natal, quando precisava fazer um dinheiro, e o romance entre aquela mulher com ar de mistério logo lhe veio à mente.


A partir desse momento começa o desenrolar de um romance frenético, uma paixão arrebatadora que levará Therese ao extremo de sua personalidade introspectiva e suas realizações pessoais. Marcado pela indagação a respeito do amor entre duas mulheres em uma época que essa relação era inadmissível, tanto na realidade quanto no mundo literário.


Enredo do livro Carol


Resenha do Livro: Carol vai te conquistar do começo ao fim. (Imagem: capa do livro, edição de bolso)

O romance entre as personagens se desenrola quando Therese envia uma carta de boas festas à Carol, e como agradecimento é convidada para um almoço.


Ela se encanta com o jeito educado de Carol, e mesmo o leitor é levado a se apaixonar por essa mulher com seu ar de mistério e elegância. É nessa aproximação que descobrimos que Carol está em um processo de divórcio que envolve uma briga jurídica pela guarda da filha.


Seria esse o maior obstáculo na vida das duas: um ex-marido que não aceita a separação, e o relacionamento homossexual considerado errôneo para aquela sociedade.


Mas longe de ser só essa a discursão, o livro traz muitas outras reflexões.

Gosto da forma como Therese é retratada, seu começo de carreira em que tudo parece impossível: para trabalhar em grandes peças ela precisa fazer parte do sindicado, mas para isso precisa de dinheiro e como conseguir dinheiro se não pode trabalhar no ramo por não fazer parte do sindicato.


As dúvidas acerca de um futuro incerto, que pode terminar em trabalhar para sempre na Frankenberg’s, quando seu sonho é criar cenários.


Como a história dela é exposta e como seu passado influencia nos seus modos, principalmente seu jeito mais introspectivo e observador e a forma como isso é posto torna Therese uma personagem cativante, em alguns momentos era assolada pela vontade de pegá-la e colocar em um potinho.


Ainda nos deparamos com o preconceito da própria Carol, em viver um relacionamento com uma mulher, o medo pela não aceitação da época e o dilema do que terá de abrir mão para ser feliz.


Filme x Livro.





Não posse terminar essa Resenha sem falar um pouco sobre o filme, quando esse foi simplesmente espetacular.


Desde o roteiro à atuação, a essência do livro é captada em todos os detalhes. Se você ler o livro depois de assistir o filme verá que é quase impossível não ver Rooney Mara como Therese e Cate Blanchett como Carol.


Mesmo o figurino e o cenário são reproduzidos fielmente, e as adaptações feitas na história são completamente cabíveis.


Um romance lésbico em 1950


Por fim uma das coisas que mais me chamou a atenção e que gostaria de pontuar a respeito da obra é justamente o romance entre duas mulheres, não só pelo fato de se passar na década de 50, mas por ter sido escrito nessa época, em que qualquer referência a relacionamentos homossexuais deveria terminar em tragédia.


Segundo a escritora, o processo de lançamento foi dificultoso, pois as editoras não aceitavam um livro com um romance lésbico retratado da maneira como é retratado em Carol.


Mas ao final, Patricia Highsmith, conta que recebeu centenas de cartas de leitores que diziam se identificar com a história e agradecendo por ela mostrar que eles existem.


Sim nós existimos não estamos morrendo como uma forma de punição por nossa sexualidade, nem estamos confusos com isso e voltando a ter relações com indivíduos do sexo oposto, como muitas vezes, o romance homossexual é retratado.


O mais interessante é que mesmo depois de 70 anos de lançada a obra ainda temos diversas problemáticas com relação a representação dos relacionamentos LGBTQI+ nas obras cinematográficas, literárias e afins.


Felizmente seguimos mudando o cenário e nos dando apoio e conquistando espaço no meio artístico em geral.


Fica a dica de leitura para todos aqueles que adoram um bom romance.

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© 2020, criado e editado por Clara Ciríaco.

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