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Resenha: A Importância das Memórias com o Livro ‘Não Esqueça’

Esse foi um dos raros casos em que conheci a autora antes de sua obra. Carol surgiu bem de surpresa na minha vida, através de uma conversa super relevante a respeito de Positividade Tóxica.


Bastou uma live para que eu a admirasse feito uma fã e daquele dia por diante, passei a buscar seu trabalho.


Não Esqueça foi a obra que ela indicou primeiro, realmente o nome do livro faz jus ao conteúdo. Esquecer de Pandora é algo praticamente impossível.


“Eu Fiz Algo e me Escondi Aqui Para Lavar Meu Remorso”


Resenha: A Importância das Memórias com o Livro ‘Não Esqueça’
Resenha: A Importância das Memórias com o Livro ‘Não Esqueça’

Não Esqueça é uma publicação da editora Caligari, de 2020. Uma ficção distópica que se passa em São Paulo, aqui no Brasil, contando sobre uma espécie de apocalipse e uma empresa que “zera” as memórias das pessoas, visando deixá-las calmas e sem traumas ou sofrimentos.


Esse é o máximo de resumo que posso dar dessa história, porque qualquer detalhe conta na hora de desvendar as artimanhas por trás da Corpus e suas cirurgias de retirada de memória.


Nesse universo tão rico e tenso, conhecemos personagens icônicos, dentre eles temos Pandora, que é uma rebelde, parte da resistência, levada para a Corpos e, como disse, zerada. Ela não lembra quem foi, apenas associa os relatos da médica que a acompanha.


Padora é uma daquelas protagonistas firmes, de personalidade marcante e motivação muito clara. Ela vive um dilema em seu interior, pois possui certos fragmentos de memória sobre seu passado – como memória olfativa e sonora –, mas não consegue se lembrar.


É gostoso ver a evolução desse enredo, de como essa personagem acha em si algo mais forte do que os paradigmas impostos à ela.


“Seu Passado. Enterre-o, você não é a Mesma Pessoa”


É um livro sobre valor. Qual o seu verdadeiro valor? É a pergunta mais marcante e forte daquele lugar. A sua presença, quem você é e que tipo de marca deixa nas pessoas ao seu redor.


Tem ação, tem ficção científica, mas, acima de tudo, tem reflexão. Não Esqueça nos leva aos confins do coração, só para saber qual é a importância das nossas lembranças.


Seriam as memórias que nos tornam quem somos? Se arrancá-las de nós, continuaremos sendo quem somos?


Carol é assim, ela consegue nos fazer refletir a respeito de elementos da vida que não paramos para pensar o quão são densos.


Passei por vários momentos de autorreflexão, principalmente por estar enfrentando um período difícil de querer desistir da carreira de escritora. Então, essa história me deixou assim, mergulhada em quem, de fato, sou eu.


“Quando a Gente Vive sem Opção por um Tempo, Começa a Entender o Valor Disso”


Gostaria de não me demorar em termos tão técnicos, porque a leitura é fluida, simples, contínua, não dá vontade de parar de ler. As personagens são incríveis, principalmente as femininas.


Os cenários são marcantes, você assiste a história, se quer notamos a leitura, as cenas só passam por trás dos olhos, em uma sequência deliciosa.


Tem àquela reviravolta marcante, que você fica no chão, preso em arrepios constantes e aquela explosão cerebral de revelações chocantes.


Quando falam que a literatura nacional é entediante ou chata, é porque estão presos em estereótipos do ensino médio.


Livros nacionais são incríveis e Não Esqueça está aí para provar. Detalhe: foi o vencedor do Prêmio Le Blanc 2021, como melhor romance. Não é pouca coisa.


Sobre a Autora:


Carol Façanha é uma escritora de ficção, doutoranda de literatura UERJ, vencedora do Prêmio Le Blanc de romance 2021. Aprovada no PhD de Escrita Criativa da Universidade de Glasgow e é integrante e assistente da Sala de Escritores Wolfpack, comandada por André Vianco.


Além disso, mantém um intagram lindo com conteúdo de escrita criativa de primeira, ajudando escritores - principalmente escritoras - a sairem de seus paradigmas, refletirem e se encontrarem no mundo da escrita.

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