• GM Rhaekyrion

Resenha: A Força Feminina com o livro A Filha do Pântano

Direto da Novo Conceito para o mundo, o livro A Filha do Pântano foi um achado da última bienal presencial a qual fui.


Conquistada pela capa mística, estava apostando em escritores novos para a minha estante. Franny Billingsley, a autora dessa história, me surpreendeu com uma primeira página cativante.


Entretanto, a leitura foi adiada por motivos de: estava envolvida em outra obra cujo título não recordo. Feito uma verdadeira acumuladora de livros para ler, deixei Briony de molho um tempinho.


Tudo para ser impactada pelas linhas dessa trama.


“A Musa Sombria é a Mais Maligna dos Três”



Já devo ter dito em outras resenhas o quanto sou eclética para livros. Meu espírito sincroniza em energias diversas. Quando A Filha do Pântano apareceu para mim, estava em uma vibração meio suspense e terror, queria sair um pouco da fantasia.


Ainda bem que consegui atingir o objetivo, porque mistério e magia são duas categorias fortes nessa história.


Com uma pegada exotérica, mística e cheia de um ar vitoriano, Briony se apresenta para nós já em luto pela perda de alguém que amava muito, enquanto é assolada pela dúvida a respeito de seus dons.


Tem um detalhe a mais: precisa cuidar da irmã especial e ficar de olhos no pântano ao lado de sua casa.


“Não Sou do Tipo que se Sacrifica”


O livro é escrito por uma mulher, com protagonismo feminino. É a coisa mais incrível do planeta ler mulheres que falam sobre mulheres.


Então, conhecemos Briony. Uma garota melancólica, acima de qualquer coisa. Presa em suas dores, amarguras, anseios e dúvidas.


Alguém que precisou amadurecer cedo demais, cuidar de seu lar, da sua família e esquecer os ócios da vida de uma adolescente. Ela é uma alma adulta no corpo de uma jovem.


A primeira coisa que nos faz próximas de Briony é como ela recusa o “feminino”, ela não quer se identificar com os aspectos padrões impostos para as mulheres. Ela quer ser ela e sente tédio quando criam expectativas contrárias à sua essência.


Seus lamentos são reais, duas dores são reais. Ela reclama de situações banais as quais costumamos também reclamar. O cotidiano a perturba, o essencial não firma sua atenção.


Briony é daquela protagonista de carne e osso, a qual nos identificamos no estado mais íntimo, mas sem perder a magia existente na sua descendência.


“Na Caixa Havia uma Menina-Loba Feita de Arame e Pérolas”


O mais excêntrico nessa história é a forma como as personagens parecem viver dentro de um círculo cultural diferente do apresentado na cidade na qual o enredo se passa.


Briony, Eldric e Rose partilham de uma visão fantástica, inexistente aos demais viventes. Eles são cúmplices da magia da cidade, da energia etérea que governa o solo ancestral.


Além disso, há uma crítica forte as questões da predação humana para com a natureza. Existem consequências severas para quem ousa mexer na mata – não posso falar demais. Por que sempre temos que destruir tudo?


Doses sarcásticas e ácidas sobre o lado podre da sociedade tece fios firmes entre as linhas místicas desse livro. Difere de qualquer coisa que já li.


Apesar das ressalvas quanto ao romance, que é bem ruinzinho, a trama é muito boa.


Aposto que você não vai decifrar quem anda adoecendo os amigos e família de Briony e nem o que ela faz para salvá-los.


Beijos de Fogo.

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