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Escritor Lírico: Saiba mais sobre esse Gênero Literário

Atualizado: 22 de Set de 2020

Na semana passada falamos sobre Gênero Literário, o que são, a sua importância e como são classificados. É muito importante saber em qual esfera literária a sua escrita permeia, pois assim conseguirá saber qual é o seu público alvo e como alcançá-lo de forma rápida.


Se você ainda não conferiu a matéria da semana passada, aconselho que a leia antes. Estaremos aqui te esperando, sem maiores problemas.


Então, voltando ao ponto principal. Os gêneros literários são três, mas suas subdivisões deixam as coisas um pouco mais complexas e extensas. Por essa razão destrinchamos o conteúdo, para que fique mais simples e limpo. Hoje falaremos sobre o Lírico, a famosa poesia. Se você é amante dos versos, precisa conferir esse material.


Gênero Lírico caminha de mãos dadas com a poesia e a música


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Escritor Lírico: Saiba mais sobre esse Gênero Literário (Foto: estudokids.com.br)

O gênero lírico corresponde ao conjunto de elementos textuais que envolvem a expressão dos sentimentos, emoções subjetivas e o tal do sujeito lírico da aula de literatura. Isso mesmo, o eu-lírico. Que nada mais é do que você, escritor, ou o personagem que está desenvolvendo aquele texto.


Majoritariamente escrito em versos, ou em textos breves, sem enredo pré-definido. Apenas contendo emoções e sentimentos. Geralmente é escrito na primeira pessoa, feito um desabafo, e possui certa musicalidade em suas linhas.


Lírico, vem de lira, que era um instrumento comum na Grécia Antiga e por possuir justamente esse ritmo, é que foi classificado com esse nome. Na idade média as poesias eram marcadas pela música, mas com a modernidade essa “obrigação” se desfez, abrindo espaço para várias possibilidades de criação.


Dentre as principais características podemos citar: expressão de sentimentos, escrito na 1º pessoa, caráter subjetivo, não possui enredo e contém muitas figuras de linguagem e palavras conotativas.


Sendo assim, levando em consideração essa marca lírica, o gênero ainda pode se subdividir em ode, hino, elegia, idílio, écloga, epitalâmio e sátira.


Subdivisões do Gênero Lírico e suas características


livro, escritor e gênero literário
Escritor Lírico: Saiba mais sobre esse Gênero Literário (Foto: resumoescolar.com.br)

Ao sair do canto para o papel, na época antiga, o gênero lírico começou a ganhar novas conformações e saiu de ser única e exclusivamente uma música para se tornar uma poesia com métrica, ritmo específico e características especificas.


Sendo assim, o gênero começou a se subdividir e essa fragmentação lírica, por assim dizer, se deu principalmente pelo tipo de verso que os autores empregavam em suas obras.


Ode – Poema de exaltação

De origem grega, os poemas que tinham a característica de exaltação, dando o significado igual ou semelhante a um canto, eram classificados como ode. São estrofes de quatro versos em sua maioria e seus assuntos são majoritariamente relacionados a natureza.


Um bom exemplo é o poema “Ode Triunfal”, de Fernando Pessoa.


“À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.


Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos, De vos ouvir demasiadamente de perto, E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações, Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!”


Hino – Poema de glorificação


Marcado pela presença de sentimento de grandeza e glorificação. O Hino é feito com intuito de homenagear e louvar. Geralmente existente em louvores pela pátria ou por divindades.


O maior de todos os exemplos é o hino nacional do Brasil.


“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos

Brilhou no céu da pátria nesse instante

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte

Em teu seio, ó liberdade

Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada

Idolatrada

Salve! Salve!”

Elegia – o poema da morte


Contendo a morte e a tristeza como principal tema desse tipo de poema, a Elegia retrata sobre assuntos cadavéricos, por assim dizer. Envolvendo muita melancolia e pesar, com o luto como principal parte dos versos. "Canto Para Minha Morte", do nosso Raul se encaixaria aqui? Será?


Para exemplificar uma boa elegia, trouxemos Carlos Drummond de Andrade.


Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.


Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.

À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.


Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer. Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.


Caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito. A literatura estragou tuas melhores horas de amor. Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.


Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva.

Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.


Écloga e Idílio – Poema da vida pastoril


Ambos os estilos retratam uma vida no campo, com foco no pastoril e nas situações bucólicas, envolvendo uso de diálogos e sequências mais simples. Retratando momentos felizes ou tristes do pastor. A única diferença entre os dois é que o idílio há mais diálogos e na écloga quase não os tem.


Para exemplificar, trouxemos o poema de Camões, que diz:


Cantando por um vale docemente

Desciam dous pastores, quando Febo No reino Neptunino se escondia: De idade cada qual era mancebo; Mas velho no cuidado, e descontente Do que lhe ele causava parecia. O que cada um dizia Lamentando seu mal, seu duro fado, Não sou eu tão ousado, Que o pretenda cantar sem vossa ajuda: Porque se a minha ruda Frauta deste favor vosso for dina,

Posso escusar a fonte Cabalina.


Epitalâmico – poema de casamento


Para celebrar e pontuar as datas matrimoniais, os poemas epitalâmicos foram criados e possuem em sua maioria a temática do casamento. Geralmente em homenagem aos noivos e ao vínculo conjugal.


Para exemplificar, trouxemos Mário de Andrade.


O alto fulgor desta paixão insana Há-de cegar nossos corações E deserdados da esperança humana Palmilharemos por escuridões... Não mais te orgulharás da soberana Beleza! e eu, minhas cálidas canções Não mais dedilharei com mão ufana Na harpa de luz das minhas ilusões!... Pela realização que ora se última Vai apagar-se em breve o alto fulgor Que te inflama e ilumina o meu desejo... Como no último verso a última rima, Eu deporei, sem gozo e sem calor, Meu derradeiro beijo no teu beijo!

Sátira – poema de ridicularização


Feito com o intuito de ridicularizar pessoas e situações, envolvendo crítica forte e ironia, as sátiras são as mais comuns na modernidade. Muito usadas em meio a piadas e exaltando defeitos e vícios.


Para exemplificar, trouxemos o exemplo de Gregório de Matos.


Que falta nesta cidade?... Verdade. Que mais por sua desonra?... Honra. Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio. Quem causa tal perdição?... Ambição. E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura De um povo néscio e sandeu, Que não sabe que perdeu Negócio, ambição, usura.

Tentei ser o mais sucinta possível, mas o assunto é extenso. Espero que tenham gostado e tenha ficado claro. Existem outros subgêneros, dependendo do livro e do autor que os estuda, ainda há subtítulos dos subgêneros. Porém, preferi trazer os mais representativos e significativos para os escritores e livros.

Qualquer dúvida só entrar em contato conosco pelos comentários, e-mail ou redes sociais.

Até semana que vem!

Beijos de fogo.

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