• GM Rhaekyrion

Como funciona a organização pessoal de um escritor?

Atualizado: 17 de Set de 2020

Querido Jarbas, falávamos de como venci as barreiras sociais para seguir a carreira dos meus sonhos. Lembra? Espero que sim. Agora está na hora de revelar o que acontece no meu dia-a-dia e qual a razão de manter esses rituais para o livro.


Outra lei fundamental que aprendi foi saber me organizar. Sempre fui uma pessoa metódica, gosto de ter pastar orientadas por cor, por função e por tamanho. Livros arrumados seguindo as sagas, ou o nome do escritor, por ordem crescente ou decrescente de tamanho.


Esse hábito adquiri desde muito nova. Nos tempos de escola já mantinha uma tendência caprichosa nos meus cadernos. Repleta de canetas coloridas, formando cabeçalho e separando por esfera de assunto. Quando fui para a faculdade, essa minúcia se fez presente nos estágios e monitoria.


Trabalhava em um laboratório de pesquisa e para quem conhece, sabe que é necessário anotar absolutamente tudo que acontece. Desde as oscilações de energia, até um cheiro diferente que algum colega apresentou na hora do experimento.

Então, esse estímulo de organização me acompanhou em outras áreas da minha vida, seguindo para a escrita.


Anotar, separar em tópicos, dividir em capítulos. Organização é tudo para um Escritor


Como funciona a organização pessoal de um escritor (g1.globo)

Logicamente, quando comecei, lá nas fanfics, não tinha nenhum compromisso em organizar minhas ideias. Só sentia vontade de escrever, me sentava diante do computador e expulsava meus anseios literários até a cabeça doer.


Também não possuia rotina de escrita, apesar de escrever quase todos os dias. Portanto, totalmente amadora, sem noção nenhuma dos principais pilares de um escritor.


Porém, ao começar minhas mesas de RPG, adquiri o hábito de organizar as campanhas por atos, seguindo uma cronologia de desafios, de cenas de interação e momentos de batalha. Boa parte desse comportamento RPGista me ajudou na hora de criar meus livros.


Roteiro, guias de enredo e ficha de personagens são as bússolas do Escritor


Durante o curso de escrita criativa aprendi sobre curvas de fábulas e essas curvas são, mais ou menos, um ponto de distribuição de cenas, segundo as ações dos personagens ou do enredo geral.


Resumidamente, as curvas de fábulas me ajudaram a criar um roteiro, que fiz baseado no que precisava para organizar minhas ideias. Elaborei um documento padrão no word, com todos os detalhes necessários da minha história, os gerais e os minuciosos, do que preciso para escrever o livro.


Percebi que minha falta de assiduidade estava em não planejar antes de começar a escrever e quando passei a ponderar esses pontos, minhas ideias se transformaram em projetos concretos, firmes e concisos.


Colocando as ideias no papel e as organizando


Como funciona a organização pessoal de um escritor (vivasaolourenco)

Então, ao ter uma ideia, a coloco inteira em um documento. Tudo, sem organizar, só desafogo aquele momento explosivo. Na maioria das vezes faço áudios, porque penso rápido demais e não consigo digitar ou escrever a mão na mesma velocidade do meu pensamento.


Depois, pego a ideia e vou organizando o enredo. Normalmente os personagens surgem primeiro e é a história deles que me leva a construir a trama geral. Então, faço o protagonista, que simplesmente vem na minha cabeça. Eles surgem do nada, de sonhos, e conversam comigo sobre o que são e de onde vieram.


Assim, vou formando o “plano de fundo” do protagonista. Crio a família, as amizades, onde nasceu, as influências culturais, o jeito e os sonhos. Então, passo ao enredo principal, que encaro como uma grande missão.


Crio o vilão ou ameaça, amarrando bem a história dele, deixando a mais clara e concisa possível. Depois faço os passos dele para alcançar os objetivos desejados. Os caminhos do vilão me dão alicerce para montar o enredo geral, quem vai ajudar meu protagonista, quem pode ser par romântico, os pequenos inimigos e como ele ou ela vai evoluir.


O Roteiro Geral é o Esqueleto do Livro


Quando esses detalhes ficam prontos, vou para o roteiro geral, montando as cenas de modo geral, dividindo em capítulos, até o fim da história. Normalmente é aqui que encontro os buracos no enredo e quem me ajuda a saná-los é minha esposa. Ela me critica, pergunta o motivo, me cutuca até os fatos estarem amarrados. É a parte mais trabalhosa, porque passa por várias revisões, indo e vindo no enredo.


Por fim, vou ao roteiro detalhado, onde destrincho cana por cena em cada capítulo. É demorado, trabalhoso, exaustivo e irritante, mas é essencial para se ter uma boa história e fugir do bloqueio criativo. Organizar previamente o enredo me livrou para sempre de ser refém da inspiração.


Ter uma pessoa para revisar minhas ideias me ajudou a ter obras melhores e esse é meu maior conselho. Tenha com quem contar e se não tiver, seja crítico consigo, o máximo possível. Pergunte a si e a seu protagonista e vilão quais são as razões que os levaram até ali e questione essas razões. Por que meu vilão quer destruir o mundo?


Seja muito crítico e minucioso. A empolgação e a paixão pelas ideias nos carregam até certo ponto, depois que a euforia passa, nos resta espremer a cabeça até os detalhes fazerem sentido.


Nossa, falo demais.


Beijos de Fogo.

Posts recentes

Ver tudo

RECEBA AS NOVIDADES

  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon
  • Twitter
  • Pinterest

© 2020, criado e editado por Clara Ciríaco.

livros, escritores, dicas de escrita e escrita criativa