• GM Rhaekyrion

As Brumas de Avalon, Livro Sobre Rei Arthur Pelo Olhar Feminino

Atualizado: 29 de Set de 2020


Através dos olhos de mulheres incríveis, você presenciará, nesse livro, a mais intensa jornada em busca do Gamo Rei e a paz pela Bretanha. As Brumas de Avalon é a primeira história do famoso Rei Arthur através do olhar feminino. Não por menos tornou-se uma das obras mais famosas do mundo.


A história tem principio em uma profecia, uma missão destinada às personagens femininas com a finalidade de fazer um grande rei assumir o governo da Bretanha. Esse rei seria Artur um líder de sangue pagão e cristão que seria capaz de unificar o povo sob a mesma bandeira e enfim levar a paz a uma nação.


O livro é carregado de jogo político e estratégias de guerra, mas o foco está nas mulheres que estão inseridas nesse cenário, que parecem representar as faces da Deusa, desde a mais submissa até a mais rebelde, passando pela donzela, pela mãe e pela anciã.


As personagens do livro As Brumas de Avalon



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As Brumas de Avalon, Livro Sobre Rei Arthur Pelo Olhar Feminino. (Foto: GMRhaekyrion)

O livro começa na visão de Igrene, uma típica senhora gentil, solícita e dócil. Mandada para terras distantes, ainda muito jovem, para casar-se com um desconhecido, Igrene se vê revoltada ao receber a revelação de que precisará trair o homem que acaba se aperfeiçoando para realizar o destino que a Deusa traçou para ela.


Viviane, sua irmã, é a Senhora do Lago, quem governa Avalon e vem ao encontro de Igrane para anunciar seu destino. Viviene é aquela mulher poderosa e incrível, que todas sonhamos em ser. Um tanto vaidosa e muito autoritária ela sabe, não só persuadir, mas também guiar e usar seus dons de sacerdotisa para conquistar os desejos da Deusa.


Morgana, filha de Igrane, é aquela personagem que cativa mesmo em situações que façam o leitor sentir raiva. Carrega o ultimo ponto de vista da história e é simplesmente apaixonante.


As Brumas de Avalon, Feminismo e o Patriarcado


Já li muitos romances de época e muita fantasia medieval, mas em nenhum deles eu senti tanta dor e tanta realidade ao expor o patriarcado da época. A devastação que o cristianismo foi capaz de causar à cultura e outras religiões, a mudança de costumes e, principalmente, a forma como as mulheres eram usadas (isso mesmo, consideradas objetos de troca e venda) e como elas precisavam lutar para alcançar o que queriam.


Infelizmente, muito do que li naquele livro, que fala de uma Terra bem mais velha, acontece hoje em dia e é possível entender como evoluiu o patriarcado durante os anos e como o cristianismo ajudou a deixar as mulheres tão subjugadas, servas e pecadoras, as nomeando fonte do mal e por essa razão destinadas a pecar.


Um fato que me deixou curiosa é como as interpretações bíblicas feitas pelos padres eram tão severas para o mundo feminino, tornando qualquer comportamento comum algo abominável, levando as próprias mulheres a se enxergarem como pecadoras e merecedoras de punição.


Assim o poder de escolha feminino é tirado, o poder, a possibilidade de ser dona de suas terras e rica, a independência, as escolhas conjugais, os modos de se vestir, as coisas que come, a escolha da maternidade, o direito de falar, a significância das argumentações e até as descartam quanto conselheiras e líderes. Nos tornando troféus de casamento e parideiras (se for das boas dará um filho, se for ruim, uma filha).


Engraçado como isso vem até os dias atuais e que muitos se comportam medievalmente e esse livro mostra como mulheres grandiosas superam essas barreiras para sobreviver na cadeia alimentar machista que as eliminam ferozmente.

Então, se prepare, porque existirá um indivíduo antes de ler As Brumas de Avalon e outro após a leitura.



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